Após apresentações em Cuba, no SESC Paulista, no Satyros e no Teatro Sérgio Porto, no Rio de Janeiro, a peça LIZ prorroga sua temporada até o final do ano, sempre as sextas e sábados, 21h.
A peça rendeu a Reinaldo Montero o Prêmio Fray Luis de León, um dos mais importantes da Ibero América. Além deste, a montagem d’Os Satyros realizada em junho de 2008 em Havana foi eleita uma das melhores peças estrangeiras do ano, levando o Prêmio Villanueva, entregue pelo Departamento de Crítica e Investigação Teatral da Associação de Artistas Cênicos da UNEAC (União de Escritores e Artistas de Cuba).
“Liz”, de Reinaldo Montero
O espetáculo “Liz” tornou-se um especial televisivo cubano, dirigido por Kiki Cavalcante, no Canal Educativo de Cuba. O convite veio diretamente de Abel Prieto, ministro da Cultura do país, após ter assistido uma apresentação do espetáculo em Havana.
“Liz” é o primeiro texto cubano montado pelo Satyros. O elenco é composto por Cléo De Páris, Tiago Leal, Fábio Penna, Germano Pereira, Janine Corrêa, Zé Alessandro, Julia Bobrow, Phedra D. Córdoba, Marcelo Szykman, Luisa Gottschalkykman e Chico Ribas. O cenário foi criado por Marcelo Maffei; a trilha sonora é de Ivam Cabral; e o desenho de luz é de Rodolfo García Vázquez.
A peça mistura história, lenda e realidade. Narra o momento em que a Rainha Elizabeth I é informada acerca das idéias heréticas que se debatem no círculo da Escola da Noite. Em “Liz”, a verdade histórica é o que menos importa. A peça representa um painel caótico de um tempo de grandes tensões, emoções e descobertas. O poder e a grandeza de Elizabeth I são postos em destaque, assim como sua solidão e fragilidade.
Utilizando-se por vezes de um tom farsesco e de abstrações, a peça propõe uma profunda reflexão sobre a tristeza, a solidão e os erros implícitos na arte de governar a terra e o céu. Os personagens Raleigh e Marlowe fundam um antro de perversão, chamado A Escola da Noite, onde questionam a anestesia de Deus e a soberania de Liz.
“Uma peça que critica o poder, a cultura, as verdades oficiais. ‘Liz’ é um dos mais importantes experimentos dramatúrgicos empreendidos no teatro hoje. E uma peça de espantosa modernidade, e de uma contundência que nos deixa de olhos arregalados”, afirma Aberto Guzik.
Segundo Ivam Cabral, “Liz”, de Reinaldo Montero, na encenação dos Satyros é uma peça hippie. Neo-hippie. “Teria tudo para ser escura, híbrida, triste. Nós a quisemos colorida. Trágica, mas esperançosa. No cenário, bambolinas se transformam em colchas de retalhos. Na trilha sonora, Janis Joplin, Velvet Underground, Roberto Carlos, Beatles. No coração dos atores, desejo de criar um espetáculo poderoso, intenso, inteiro”.
Veja o que falaram sobre a peça:
"Clássica, lúdica e com as pitadas kitsch dos Satyros, LIZ é um ótimo exemplo do teatro que eles vêm fazendo há tempos na praça Roosevelt, que já foi considerado marginal, já foi considerado transgressor, já virou cult e agora permanece como uma das grandes forças do teatro paulistano". Santiago Nazarian
“O grupo carrega suas marcas mais expressivas, adaptando os espaços em função de suas concepções ideológicas e estéticas”. Ferdinando Martins, na G Magazine
“Lembrei a boa versão de Across the Universe, de Rufus Wainwright. Ouvi na peça ’Liz’, dos Satyros”. José Serra, em seu próprio Twitter
“Se todo o sentido da peça girasse em torno da ilha de Fidel ainda assim teria interesse, porém restrito”. Beth Néspoli, em O Estado de S. Paulo
“Vázquez valoriza o texto poético e cheio de metáforas cifradas de Montero, acelerando o ritmo da encenação e exigindo um máximo de energia dos atores”. Luiz Fernando Ramos, na Folha de S. Paulo
“Em cena, ele [Rodolfo García Vázquez] faz ‘uma grande aventura estética hippie-psicodélica’, com um figurino de calças boca-de-sino, estampas floridas, franjas e veludos”. Lucas Neves, na Folha de S. Paulo
“É mais uma das audaciosas criações do grupo que completa 20 anos com energia e inquietação, qualidades maiores que os possíveis enganos cometidos”. Jefferson Del Rios, em O Estado de S. Paulo
“Preste atenção em como Vázquez se serve de estéticas inventivas para refletir sobre questões sociais atuais”. Revista Bravo!
Os Satyros, 20 anos
Fundada em 1989 em São Paulo por Ivam Cabral e Rodolfo García Vázquez, a companhia já traz nos primeiros trabalhos a marca da ousadia e radicalidade. A partir de 1992, num exílio voluntário, se transfere para a Europa onde se apresenta em importantes festivais, como Avignon e Edimburgo.
Em dezembro de 2000, Os Satyros retornam a São Paulo e se instalam na Praça Roosevelt, considerada na época uma das regiões mais perigosas da cidade, comandada pelo tráfico e pela prostituição. Os Satyros são considerados os responsáveis diretos pela sua revitalização, hoje um dos principais focos de agitação cultural da cidade.
A companhia atua em vários segmentos artísticos, seja na publicação de livros, na produção radiofônica, televisiva e cinematográfica. Anualmente realiza, na entrada da primavera, o evento "Satyrianas", que, em sua última edição, reuniu mais de 30.000 pessoas durante 78 horas de atividades ininterruptas.
Atualmente, Os Satyros possuem vários núcleos de trabalho, contando com mais de 50 profissionais. Ao longo destes 20 anos, atuaram em 15 países, produziram mais de 60 espetáculos e receberam prêmios internacionais e alguns dos mais importantes do teatro brasileiro.
Rodolfo García Vázquez
Fundador dos Satyros, diretor teatral e dramaturgo, tem desenvolvido sua carreira no Brasil e no exterior. Já trabalhou em mais de quinze países em projetos de instituições locais, além de apresentar os próprios trabalhos de sua companhia Os Satyros na Europa. Responsável pela elaboração e a reflexão sobre o processo de criação de Os Satyros, intitulada Teatro Veloz. Recentemente viajou para Bolívia, com o espetáculo "A Filosofia na Alcova", e para Cuba, apresentando a peça "Liz”.
LIZ Sinopse: Utilizando-se de um tom farsesco e de abstrações, a peça propõe uma profunda reflexão sobre a tristeza, a solidão e os erros implícitos na arte de governar. Os personagens Raleigh e Marlowe fundam um antro de perversão chamado A Escola da Noite, onde questionam a anestesia de Deus e a soberania de Elizabeth I. Texto: Reinaldo Montero Direção: Rodolfo García Vázquez Elenco: Cléo De Páris, Tiago Leal, Fábio Penna, Germano Pereira, Janine Corrêa, Zé Alessandro, Julia Bobrow, Phedra D. Córdoba, Marcelo Szykman, Luisa Gottschalkykman e Chico Ribas Quando: Sexta e sábado, 21hs Onde: Espaço dos Satyros UM, pça Roosevelt, 214 Quanto: R$ 30,00; R$ 15,00 (Estudantes, Classe Artística e Terceira Idade); R$ 5,00 (Oficineiros dos Satyros e moradores da Praça Roosevelt) Lotação: 70 lugares Duração: 80 min Classificação: 14 anos Gênero: Drama Temporada: até 12 de dezembro de 2009